Este mês, inspiramo-nos no Halloween para a escolha do nosso tema de leituras. Vamos descobrir obras ligadas ao sobrenatural ou textos em que o mistério e o lado negro da humanidade marquem presença.
Eis a nossa primeira sugestão de leitura:
Eis a nossa primeira sugestão de leitura:
O Retrato de Dorian Gray, de Óscar Wilde, causou escândalo e controvérsia na sociedade inglesa do século XIX pelo convite que faz à reflexão sobre os valores morais de uma época marcada pela vaidade, pelo narcisismo excessivos e pela procura de novas e deleitosas sensações a qualquer preço.
O seu protagonista, Dorian Gray, portador de uma juventude e belezas invulgares, confronta-se com a efemeridade destas suas virtudes ao ver terminado o seu retrato e promete a sua alma, ainda ingénua e virtuosa, em troca da juventude eterna.
Os anos passam e Dorian mantém a sua bela aparência exterior, enquanto interiormente se degrada, tornando-se vil e devasso. Paradoxalmente, o seu retrato mágico, espelho da sua alma, envelhece e revela cruamente a leviandade interior de Dorian.
Vamos espreitar um excerto:
“ – Há anos eu era um rapaz –disse Dorian Gray, esmagando a flor na mão – você conheceu-me, lisonjeou-me, e ensinou-me a ter vaidade da minha beleza. Um dia, apresentou-me a um amigo seu, que me esclareceu sobre a maravilha da juventude. Entretanto, você terminou o meu retrato que revelava a mim próprio a magia da beleza. Num momento de loucura que, ainda agora, não sei se lamente ou não, formulei um desejo, talvez se lhe pudesse chamar uma prece…
- Eu lembro-me! Ah! Lembro-me tão bem! Não, isso é impossível! O quarto é húmido. Foi o bolor que se infiltrou na tela. As tintas que utilizei teriam algum péssimo veneno mineral. Digo-lhe que isso é impossível.
- É o rosto da minha alma! […] Cada um de nós tem dentro de si o Céu e o Inferno, Basil! – gritou Dorian, esboçando um desvairado gesto de desespero.
- Meu Deus! Se for verdade e isto representar o que fez da sua vida, então você deve ser ainda pior do que imaginam aqueles que contra si falam!
[…] Dorian Gray olhou o quadro de relance e, de súbito, apoderou-se dele um desenfreado sentimento de ódio por Basil Hallward, como se lhe tivesse sido sugerido pela imagem da tela, segredado ao ouvido por aqueles lábios arreganhados num sorriso. […] Alucinado, olhou rapidamente em redor. Viu qualquer coisa reluzente sobre a arca pintada que estava mesmo em frente. Sabia o que era. Uma faca que trouxera uns dias antes para cortar um pedaço de corda, e que se esquecera de levar. […] Agarrou-a, precipitou-se sobre Hallward e…”
Para saberem o que fez Dorian com tão perigoso objecto, apareçam no corredor da leitura (junto à funcionária D.Saulina) no dia 10 de Novembro, terça-feira, entre as 10:15 e as 12:00. Tragam os vossos textos ligados aos temas do mistério, da maldade e/ou do sobrenatural para partilharmos leituras!


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